Três mortos em novo ataque russo a Kiev
Novos bombardeamentos sobre Kiev causaram pelo menos três mortos e sete feridos, com a Ucrânia a enfrentar uma intensificação de ataques russos numa altura em que as suas defesas se deparam com uma escassez de mísseis intercetores.
Um jornalista da agência France-Presse registou ter ouvido cerca de uma dezena de explosões a abalar a capital ucraniana por volta das 23:00 na hora local (01:00 em Lisboa), onde, mais uma vez, os residentes foram instados a recolher-se aos abrigos.
A administração militar local tinha anunciado pouco antes o acionamento de um "alerta aéreo devido ao uso de mísseis balísticos".
Na periferia nordeste de Kiev, os ataques russos causaram três mortos, incluindo uma criança de 4 anos, bem como três feridos, na aldeia de Pukhivka, segundo os serviços de resgate, sem especificar se os ataques foram realizados com mísseis ou drones.
Na própria capital, foram contabilizados quatro feridos pela autoridade militar, enquanto os serviços de resgate relataram incêndios em dois bairros.
Mais de quatro anos após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, os ataques intensificam-se de ambos os lados de uma linha de frente quase imóvel, fazendo um número crescente de vítimas civis.
Na quarta-feira, pelo menos 17 pessoas tinham sido mortas em ataques noturnos russos sobre Kiev e a sua região.
Nesse dia a defesa antiaérea ucraniana não conseguiu abater nenhum míssil russo, algo que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, atribuiu à falta de mísseis intercetores Patriot.
O Presidente ucraniano, que tem realizado múltiplas viagens ao estrangeiro para consolidar o apoio internacional ao seu país, chegou na sexta-feira à noite à Sérvia para a sua primeira visita a este aliado tradicional de Moscovo desde a invasão de 2022.
O Presidente ucraniano vai reunir-se hoje com o seu homólogo sérvio Aleksandar Vucic para discutir economia e "questões de segurança".
Zelensky deslocou-se no final de julho a Washington para se encontrar com Donald Trump, numa tentativa de obter mísseis Patriot, sendo estes os únicos capazes de intercetar os mísseis russos mais avançados.
Segundo o jornal Financial Times, o Presidente norte-ameericano, Donald Trump, recusou este pedido devido à escassez de Patriot americanos gerada pela guerra no Médio Oriente, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão no final de fevereiro.
Este novo ataque russo sobre Kiev ocorre no momento em que os senadores americanos adotaram na sexta-feira novas sanções contra a Rússia, visando particularmente a indústria dos hidrocarbonetos.
O projeto de lei permitirá a Washington impor taxas alfandegárias de até 100% aos cinco principais compradores de petróleo e gás russos, bem como aos países que contribuam para contornar as sanções vigentes contra o setor energético russo.
Zelensky, a aprovação do projeto de lei, considerando que este "ajuda a aumentar a pressão sobre o agressor para pôr fim a esta guerra russa louca" contra a "independência da Ucrânia" e contra o povo ucraniano.